Florianópolis, 07 de janeiro de 2009

 

A OMC A CAMINHO, DESTA VEZ DE HONG KONG



Editorial

A Organização Mundial Comércio dirige-se para mais uma Conferência Ministerial, desta vez em Hong Kong, que deve ocorrer em dezembro próximo.

Os avanços nas negociações durante esta Conferência são essenciais para que seja possível alcançar resultados efetivos na Rodada de Negociações inaugurada em Doha em 2001. O fracasso das negociações da última Conferência Ministerial, ocorrida em Cancún, no México, em setembro de 2003, forçou os Membros a estender os prazos originariamente previstos para a adoção dos compromissos alcançados nas áreas específicas. A falta de consenso em temas chave como agricultura e subsídios, aliada à ausência dos fatores políticos necessários para que algum tipo de consenso pudesse ser alcançado, pelo menos em relação aos temas mais importantes colocados sobre a mesa de negociações, marcou Cancún.

Para evitar que o mesmo se repita em Hong Kong, os Membros da organização concordaram em concentrar os esforços em alguns temas, consolidados no chamado “Pacote de Julho”, de 2004, que compreende: agricultura, algodão, acesso a mercados não-agrícolas, desenvolvimento, serviços, além de regras, comércio e meio ambiente, TRIPS, solução de controvérsias e facilitação do comércio.

Nesta agenda de negociações, constam temas que são do interesse da sociedade brasileira, não apenas no que se refere à agricultura. Estes temas são discutidos nos textos a seguir, que buscam, dentro das diferentes áreas abordadas, discutir o estado das negociações, e de que forma as mesmas atingem – promovendo ou prejudicando – os interesses brasileiros, tendo em vista o ocorrido em Cancún e o que se pode esperar em Hong Kong.

As perspectivas para estas negociações são bastante incertas, na medida em que a pauta de negociações, apesar de mais restrita que a adotada em Cancún, é bastante complexa. Além disso, não obstante os esforços dos grupos de negociações e dos dirigentes da organização, inclusive de seu novo Diretor-geral, Pascal Lamy, não parece haver consenso suficiente, capaz de permitir um compromisso unificado (single undertaking).

Esta nova edição, a exemplo da anterior, que analisou as perspectivas para a Conferência de Cancún, consolida a iniciativa do IRI/UFSC em divulgar os temas relacionados com as negociações da OMC, principalmente no que tangem os interesses brasileiros.

Florianópolis, novembro de 2005.


Welber Barral
Diretor
Márcio Fogaça
Editor

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